Muito se fala sobre Política, mas fato é que nem todos sabem como ela funciona. Ainda menos são aqueles que se dispõem a fazê-la e a entendê-la no interior do estado do Rio de Janeiro. Assim como qualquer lugar que não seja a capital de um estado e a uma certa distância das grandes metrópoles, tem suas peculiaridades de interior, bem como suas características locais: estilo de comércio, vocação turística e dificuldades para geração de emprego, por exemplo.
Existem algumas dificuldades que se somam a tudo isto, aquelas criadas pelos que dizem entender de política, mas ignoram a importância do Interior do Estado nesse processo. Outros, porém, sabem da importância do Interior, ou pelos menos imaginam, mas preferem a estratégia de sugar a cada quatro anos um pouco dos seus votos, em nível estadual, e nas eleições municipais optam por uma falta absurda de qualquer construção e, em alguns casos, na negociação pura e simples.
O tempo vai passando e, para aqueles que sonham com resultados robustos organicamente e visando a construção de um projeto de poder nacional, a fragilidade desses partidos no município se torna algo temerário. Sem renovação de quadros e sem o surgimento de novas lideranças, o envelhecimento desses partidos o tornam inviáveis, pois os tempos mudam e nem sempre as pessoas acompanham. Sobretudo, se levarmos em conta algumas direções, ou algo parecido com isto, que totalmente desconectadas do mundo atual e real, continuam com as mesmas práticas há décadas, sem nenhuma vitória para chamar de sua.
Outro ponto sensível é a ausência de Juventude e o total despreparo para falar com ela, ainda mais em tempos digitais. Alguns ainda acham que um banquinho na praça e uma gritaria na porta de algum comércio darão uma visibilidade que pode muito bem ser atingida sem esse desgaste.
Quero deixar bem explicado que não sou contra essas atividades, pelo contrário, mas tudo precisa sem bem equilibrado e novas estratégias precisam conectar os partidos às pessoas, suas ideias e suas mentes.
Óbvio que os partidos de esquerda sofrem mais dentro deste cenário. Muitas direções olham a capital como único meio de sobrevivência e negam ao interior uma construção com o apoio necessário de suas instâncias, e não estou falando apenas de estrutura. Às vezes, uma mínima atenção e visita de seus dirigentes ajudam e muito. A verdade é que muitos destes nem conhecem o Estado, e outros o olham como um mapa de voto puro e simples, que trabalhará para os mais famosos e orgânicos de sempre dizem normalmente um grande “Não”, para novas lideranças, sobretudo às locais. Um exemplo disto são as eleições municipais.
Quero, mais para frente, continuar falando sobre este assunto e trazer alguns números interessantes sobre a discrepância entre as eleições municipais e estaduais, e como uma não reverbera na outra e o porquê?
Por ora é importante ressaltar que a vida se vive nas cidades e, portanto, não existe como negligenciar, em uma estratégia, os municípios e suas pessoas. Com a conectividade na palma da mão, essa distância de direção, além de ficar mais evidente, distancia da construção política real e aumenta as lacunas que acabam sendo ocupadas pelos poderes econômicos e a desinformação.
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