A
Luta
é um monólogo teatral baseado na terceira parte do livro Os sertões, de
Euclides da Cunha (1866-1909). Nesta versão cênica do autor Ivan Jaf e da
diretora Rose Abdallah, o ator Amaury Lorenzo transforma-se num rapsodo para
contar as batalhas ocorridas em Canudos, em 1896, entre homens e mulheres
chefiados por Antônio Conselheiro e as forças militares da República,
recém-proclamada no Brasil.
Da
mesma maneira que os rapsodos cantavam a Ilíada e a Odisseia de
Homero, mantendo essas longas epopeias vivas pela fala e a memória, antes de
poderem ser escritas, pode-se imaginar a Guerra de Canudos, segundo a visão de
Euclides da Cunha, sendo narrada por um “contador de História” diante de uma
plateia.
Um
só ator, usando a fala e o corpo, conta as sucessivas investidas do exército
brasileiro contra o arraial e a reação de seus habitantes.
Nessa
terceira e última parte de Os sertões, Euclides criou uma simbologia
poderosa, abandonando a linguagem acadêmica para traduzir jornalisticamente uma
guerra de ideias: a luta entre as forças republicanas, que traziam a
modernidade, contra o obscurantismo religioso, que alicerçava a monarquia; os
brasileiros do litoral contra os do interior; as elites contra o povo; a fé
contra a razão... para concluirmos que os dois lados acabaram se unindo pela
intolerância e a violência.
O
espetáculo A Luta acontece nesse domingo (16), às 19h, na sala Carlos Vereza,
com entrada gratuita.