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Garota de Ipanema: após 60 anos, ainda "cheia de graça"?

Garota de Ipanema: após 60 anos, ainda "cheia de graça"?

02/08/2022 14:06:00 | Rio de Janeiro | Fonte: Jornal em Destaque

A
lenda é bem conhecida: num dia de sol de 1962, um jovem compositor e um poeta
conversam e tomam cerveja num bar próximo à praia, no bairro de Ipanema, zona
sul do Rio de Janeiro. Entre as beldades que passam pela calçada, chama em
especial a atenção da dupla uma moça de 17 anos, olhos verdes, cabeleira
esvoaçante.



Lendas
servem para fazer a história mais suculenta, dar-lhe impacto, tornar ainda mais
excepcional o que já é notável. Por isso, basta Arquimedes entrar no banho e
logo já sai gritando "Eureka!". Por isso se gosta de pensar que
Beethoven escreveu toda sua Sinfonia Pastoral em meio à natureza,
passeando pelos bosques de Viena – sem atentar para a necessidade de
concentração, material para escrita, um piano, e outras bagatelas.



Da
mesma forma, reza o mito que Antônio Carlos Jobim e Vinícius de
Moraes compuseram a canção Garota de Ipanema ali mesmo, em pleno Bar
Veloso, às vistas de sua jovem musa inspiradora.



Mas
a pesquisa revela outros fatos: a dupla de criadores já observara Heloísa Pinto
(futura Helô Pinheiro) repetidas vezes, a caminho da escola, da costureira, até
do dentista. E não era do estilo dos dois escrever música à mesa do bar –
embora sabidamente lá passassem as melhores horas do dia. Tom compôs ao piano
de casa, ali mesmo em Ipanema, enquanto Vinícius escreveu seus versos na
serra, em Petrópolis.



 



Arrancada
com Getz/Gilberto



Seja
como for, naquele ano nascia um dos maiores sucessos de todos os tempos, não só
da bossa nova – estilo musical emergente no Brasil – como da música
popular internacional. Consta que a revelação ao público se deu em 2 de agosto
de 1962, no restaurante Bon Gourmet, no bairro vizinho de Copacabana. No mesmo
ano, o cantor Pery Ribeiro lançava a primeira gravação.



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Porém
a triunfal campanha internacional da Garota de Ipanema só começou, de
verdade, com sua inclusão no álbum Getz/Gilberto, de 1964, da gravadora de
jazz Verve. O LP reunia três brasileiros – o cantor e genial violonista João
Gilberto; sua esposa Astrud Gilberto, vocalista de estilo ultra cool e afinação
duvidosa; o piano minimalista de Tom Jobim – e um americano, o saxofonista Stan
Getz, devidamente iniciado nos mistérios rítmicos da bossa nova.



O
álbum conquistou de pronto os Estados Unidos, abocanhando vários prêmios
Grammy, o Oscar da música. A canção principal, naturalizada The girl from
Ipanema, alcançou o quinto lugar na parada de sucessos dos EUA e o 29º na
Inglaterra, além de colocações semelhantes em diversas partes do mundo.

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