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VIOLÊNCIA DE ESTADO. A luta das mães da Baixada Fluminense pela memória de seus filhos vítimas da violência

VIOLÊNCIA DE ESTADO. A luta das mães da Baixada Fluminense pela memória de seus filhos vítimas da violência

10/07/2022 11:00:00 | Rio de Janeiro | Fonte: Jornal em Destaque

Seria
impossível descrever a dor de alguém que perde um filho. Imagine, então, se
essa perda precoce fosse provocada pela milícia, ou ainda, pela polícia. O que “Nossos
Filhos Têm Mães” quer é mostrar que muito além da vida perdida, o Estado
opressor e que mata sem medida destrói um lar, uma família e, principalmente,
uma mãe. Uma mãe que tira forças de onde não há uma gota de esperança, para que
a memória de seu filho não seja apagada como alguém que não merecia a vida que
tinha.



Publicado
pela editora Telha a partir da dissertação de mestrado em Ciências Sociais da
jornalista Giulia Escuri, essa obra choca por sua profundidade ao passo que nos
mostra uma realidade que nenhum programa policial é capaz de transmitir.



“Nossos
Filhos Têm Mães” explora as relações entre território, dor, sofrimento e
parentesco manejadas pelas mães e familiares de vítimas de violência do Estado
na Baixada Fluminense. Debruçada sobre o tema da violência praticada por agentes
do Estado, que compreende policiais militares e, também, grupos de extermínio e
milícias, a autora analisou as mobilizações de mulheres e familiares das
vítimas.



“Nossos
mortos têm voz; nossos filhos têm voz; nossos filhos têm mães!” é um grito
proferido pelas mães e familiares de vítimas de violência estatal nos atos e
protestos. Levando cartazes com o rosto dos filhos, vestindo blusas com suas
fotos e lutando contra o Estado, responsável por retirar a vida de uma pessoa
amada, as mulheres são as protagonistas nessa luta.



As integrantes
da “Rede de Mães e Familiares de Vítimas de Violência do Estado na Baixada
Fluminense” são as principais interlocutoras desta pesquisa. Através de atos
protagonizados pela Rede que foram acompanhados em 2019 e de entrevistas
concedidas por essas mulheres no fim de 2020 e início de 2021, é possível notar
categorias centrais para um estudo acerca dessas agências femininas que seguem
um evento crítico. Já a escolha pela Baixada Fluminense, se
justifica por ser historicamente associado ao estigma da criminalidade e
conviver com a exaltação de grupos poderosos responsáveis pelo assassinato, em
massa, de jovens negros.



A
obra ainda avalia questões como o gênero enquanto elemento central, a conexão
entre emoções, luto e maternidade na luta por justiça e memória dos mortos.
Além disso, também são levados em conta aspectos como os encerramentos nas
trajetórias das mães após a morte de um filho e o modo como suas vidas e seus
corpos são afetados pelo sofrimento. Por fim, esse estudo investiga o lugar do
parentesco na ausência de filhos e familiares vitimados pelo Estado e o
exercício da maternidade em territórios periféricos, mesmo para mães que,
agora, têm de se relacionar com um filho que não existe mais no plano físico.



De
forma impressionante e esclarecedora, “Nossos Filhos Têm Mães!” mostra, através
de um trabalho respeitoso sobre as trajetórias dessas mulheres, um delicado e
doloroso esforço para relatar as ações, as dores e as “lutas por justiça”
contra o Estado, realizadas por pessoa, ávidas para comprovar a “inocência”,
assim como ansiosas para buscar o respeito e a perpetuação das memórias dos
vitimados.



 



“Nossos
Filhos Têm Mães!”, com 196 páginas, ao preço de R$ 49,00 pode ser adquiro clicando
AQUI

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