A
Prefeitura do Rio de Janeiro publicou, na manhã desta terça-feira (26), um
decreto que suspende a cobrança do passaporte vacinal em toda a
capital. A desobrigação do documento foi recomendada nesta
segunda pelo Comitê Especial de Enfrentamento da Covid-19 (CEEC), que
considerou o panorama epidemiológico atual "favorável e estável" no
município, e havia sido confirmada pelo prefeito Eduardo Paes.
O
documento era exigido desde o dia 12 de novembro de 2021 em lugares de uso
coletivo, como academias de ginástica, cinemas, teatros, estádios e outros.
De
acordo com o CEEC, a recomendação tem como base os números atuais da pandemia
na cidade. Nesta segunda-feira, o Painel Rio Covid-19 indica que apenas nove
pessoas estão internadas na rede pública em leitos dedicados a tratar pacientes
com o coronavírus. Na última semana epidemiológica, entre os dias 15 e 22,
apenas 6% dos testes diagnósticos deram positivo para o vírus.
Em
queda desde o fim de janeiro, o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda
Grave (SRAG) caiu quase pela metade no comparativo entre a última semana e a
anterior. Segundo o painel da SMS, o número era de 12.284 e foi para 6.196 na
última semana. Esse é o menor patamar desde a segunda semana de pandemia, ainda
em março de 2020.
A
pesquisadora em Saúde da Universidade Federal do Rio (UFRJ), Chrystina Barros,
concorda com a justificativa epidemiológica dada pelo comitê, mas diz que é
preciso lembrar do caráter educacional do passaporte vacinal.
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Tirar
a obrigatoriedade do passaporte pode significar que as pessoas esqueçam, por
completo, que estamos em uma pandemia e precisamos atender a doses de reforço.
Isso representa um risco porque precisamos manter toda a população com um nível
de proteção igual",
comenta.
Crystina
lembra ainda de outras doenças que voltaram a apresentar surtos após terem sido
consideradas erradicadas.
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Vamos
destacar que sempre que uma doença começa a ficara menos frequente as pessoas
esquecem da sua gravidade. Foi assim com o Sarampo. Conseguimos avançar com uma
cobertura vacinal que nos trouxe a erradicação do Sarampo e, na medida que ele
foi erradicado e a vacinação começou a cair, o vírus voltou a circular. Então,
esse é o grande risco",
avaliou.
O
especialista em imunologia e medicina desportiva, João Marcello Branco, também
comentou sobre a decisão.
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Mesmo
a pessoa estando vacinada ela pode até transmitir a doença. Ela pode evitar as
doenças graves, mas a transmissão não foi tão contida, então às vezes a pessoa
vacinada em ambiente conjunto, relaxa no momento da prevenção, onde ela não dá
muito a importância do distanciamento e acaba que a vacina ameniza os sintomas
e a pessoa continua transmitindo", disse o médico, que completou: "Além
do que isso também vai gerar uma opção dentro das faixas etárias mais baixas,
como as crianças, onde o efeito colateral da vacina e a eficácia não estão
muito bem comprovadas, é muito baixa, e isso deixa cada um poder ter uma opção,
que é de evitar o efeito colateral. Então, a medida de retirada do passaporte
vacinal é uma medida que é cientificamente cabível e também pela observação que
a gente teve ao longo desse tempo em que ficou vigente".
O
município também informou que as vacinas da segunda dose de reforço, ou
quarta dose, serão Jansen e AstraZeneca. De acordo com a Secretaria Municipal
de Saúde, essa dose da vacina contra a covid-19 será para pessoas partir dos 70
anos, e deve ser aplicada a partir da próxima quarta-feira (27).
Na
semana seguinte, a partir do dia 4 de maio, os pacientes serão idosos acima de
65 anos. Depois, a partir de 11 de maio, serão vacinados os idosos com mais de
60 anos. A vacinação vai até o dia 21 de maio.
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O Dia
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