O ex-secretário municipal de Obras da gestão do ex-prefeito do
Rio Eduardo Paes (DEM), Alexandre Pinto, admitiu ter recebido R$ 600 mil em
propina. A confissão foi feita pela primeira vez, em depoimento para a 7ª Vara
Federal Criminal, na tarde de ontem. Pinto afirmou que as vantagens indevidas
foram obtidas durante o seu trabalho na Prefeitura do Rio, mas não quis entrar
em detalhes sobre como foi feito. “As denúncias (do Ministério Público Federal)
têm fundamento”, disse o engenheiro civil.
“Obtive (cerca de R$ 600 mil) de maneira ilícita, através de
propina que recebi. Mas preferia não dizer sobre os contratos por orientação da
minha advogada”, disse.
O ex-secretário também afirmou que dissimulou o dinheiro em
depósitos feitos na conta de sua mãe e na compra de uma sala comercial em
nome de seu filho em espécie, mas disse que os seus familiares não sabiam da
origem dos valores.
“Meus filhos e minha mãe me
pediram para falar toda a verdade. Por isso, estou falando a verdade para a
Justiça. É um momento difícil que toda pessoa passa. Não me sinto injustiçado.
Estou aqui para confessar os meus erros”, disse o engenheiro civil ao juiz
Marcelo Bretas.
Pinto também pediu perdão para a
sociedade e disse que foi um “momento de fraqueza”, durante o depoimento.
“Tenho que pedir perdão para a sociedade. É difícil, mas é importante que eu
peça perdão pelos meus erros. Foi um momento de fraqueza, um momento na vida em
que a gente é tentado e, infelizmente, a gente acaba aceitando o que não deve”,
afirmou.
É esperado que, nos próximos
depoimentos, o ex-secretário de Paes entre em mais detalhes sobre como obteve
dinheiro ilícito na prefeitura. Além do crime de lavagem de dinheiro, o
engenheiro, que está preso, é acusado pelo MPF de participar de um suposto
esquema de desvio de R$ 36 milhões das obras municipais da Transcarioca e de
Recuperação Ambiental da Bacia de Jacarepaguá. De acordo com o MPF, parte dos
recursos obtidos pelo ex-secretário foi para o exterior “de forma sofisticada”,
por meio de empresas off shore
operadas por terceiros para o ex-secretário. Um delator do esquema informou que
o ex-secretário tem mais de R$ 6 milhões em contas no exterior, valor que será
objeto de restituição à Justiça Federal.
[Conteúdo:
Estadão]