O Jornal Em Destaque compartilhou, em seu portal de
notícias no Facebook, o link do G1 publicado no dia 31 de dezembro, com a
seguinte manchete: “Vereador de Miguel Pereira é preso por peculato no
Arco Metropolitano”. A postagem
do ED ultrapassou a 8.000 acessos e deixou muita gente indignada. Foram muitos
os comentários e pedidos enviados à redação para que o nome do vereador envolvido
fosse revelado, já que a matéria de O Globo, reproduzida no Extra e O Dia, não
divulgava. Claro que, logo, a população interessada já sabia de quem se
tratava, e o ED também. Nossa equipe fez contato com o Vereador Marcos
Malho, o Marquinhos Gordo, para apurar e apresentar aos leitores informações
seguras, já que a matéria “global” dizia que o vereador havia sido preso por
peculato e verificamos que tal afirmação não era verídica, pois conversamos com
ele no mesmo dia da ocorrência.
Mas, não foi apenas o nome do vereador que a matéria
ocultou... ela também encobriu a placa do veículo oficial, na foto, editando com
uma tarja cinza, e, segundo O Dia, “o
carro oficial estava sem placa”. O ED teve acesso ao Registro de
Ocorrência, nº 059-20606/2018, emitido pela 59ª DP (Duque de Caxias), onde na
Dinâmica do Fato, ao fim da primeira página, registra que “em patrulhamento de rotina, por volta das 10h, [a PRF] aborda o veículo
placa nº...”. Ora, se tem placa, por que a matéria diz que não havia? No
último parágrafo da matéria de O Dia, diz que o jornal tentou contato com a
Polícia Civil, mas que não havia recebido retorno até a sua publicação – bem se
viu que não!
Ante a tais contradições, apuramos os fatos – como deve
fazer todo veículo de notícias comprometido com o bom jornalismo – e os
trouxemos aos leitores do ED.
Inverdades:
O Vereador Marcos Malho não foi
preso por peculato (uso de bens públicos
para proveito próprio), mas sim, autuado por estar acima da velocidade
máxima estabelecida naquela rodovia.
O veículo não estava sem placa – como explicado
acima.
Também circulou a informação de que o vereador havia saído da prisão em razão de pagamento
de fiança. Ele sequer foi preso, e a ocorrência foi registrada na Delegacia como
fato atípico - Um
fato atípico, como exemplo, seria uma intenção de registro de ocorrência quando
a situação ocorrida não se configura como infração penal. É aquele que foge do
Direito Penal, mas registram-se nas delegacias de polícia, mesmo não sendo uma
atribuição da Polícia Civil.
“Não fui preso. Na
verdade, fui parado no Arco Metropolitano. A Câmara de Vereadores de Miguel
Pereira tem por hábito deixar os veículos sob a responsabilidade dos
vereadores. E, certamente, irá apurar o acontecido, como sempre o faz”,
disse Marquinhos.
Perguntado sobre os objetos de uso em praia, Marcos Malho
disse que seu carro particular havia enguiçado e antes de ser levado à oficina
ele transferiu seus pertences para o carro oficial. O que ele não imaginava é
que às 3:30h da madrugada teria de atender a uma emergência. O ED teve acesso à
NF de serviço.
“Eu não estava indo à
praia. Às 10h, quando fui parado, eu estava regressando a Miguel Pereira e não
indo a lugar algum”, afirmou o vereador.
Sobre a multa, Marcos disse que é de responsabilidade de
cada vereador o pagamento de multas advindas de carro oficial.
O ED perguntou ao vereador, a quê ele atribuía a publicação
de uma matéria feita por uma das maiores potências do jornalismo no Brasil, com
um conteúdo tão comprometedor e sem a apuração devida, afirmando coisas que não
correspondiam aos fatos. Ele respondeu:
“Não acredito que o jornalista tenha apurado a veracidade
das informações recebidas por sua fonte. A matéria foi publicada de forma
precipitada. Algum adversário político deve ter passado essas ‘informações’ de
forma equivocada, propositadamente com o fim de me prejudicar”, concluiu.
Procuramos o Presidente da Câmara Municipal de Miguel
Pereira, o Vereador Eduardo Paulo Correa, o Domi, que prontamente informou ao
ED que, apesar do recesso, ele se reuniu com a comissão responsável e que mesmo
tendo ouvido a Marcos Malho, uma sindicância será aberta para apurar o caso e
dar à sociedade a devida satisfação.