O assunto do momento que invadiu às redes sociais é
também sobre uma invasão: a de cobras cascavéis na cidade de Miguel Pereira.
Muita gente preocupada e muita história inventada, também. A mais popular
dentre elas é a do caminhão carregado de cascavéis que tombou numa rodovia próxima,
deixando um sem número desses perigosos répteis na região.
O ED resolveu “entrar em campo” objetivando esclarecer
seus leitores sobre as dúvidas em torno do assunto, inclusive seus boatos.
Caminhão
que tombou carregado de cascavéis
Grande parte das pessoas com quem o ED andou conversando
disse ter ouvido do tal caminhão carregado de cascavéis, que havia tombado, as
cobras fugido e colonizado a região. Descobrimos que um funcionário de um Instituto de Pesquisa, inventou, na brincadeira entre colegas de trabalho, que um
caminhão do instituto havia tombado na BR 393 (que corta Barra Mansa, Volta
Redonda, etc), carregado de cascavéis e que elas haviam fugido. Um outro funcionário
ouviu, levou a sério a “notícia” e a espalhou, acreditando ser verdade!
Também se fala sobre a soltura desta espécie de cobra na
região, por pessoas (criadores) ou pelo próprio Ibama... mas, nada disto é fato.
Possíveis
motivos da invasão de cascavéis
Segundo o biólogo Hélio Freitas (mestrado em ciências
ambientais, professor do Estado e da prefeitura de Vassouras, com qualificação em manejo de répteis pela fundação Rio Zoo, além de ser o
diretor presidente do IZMA, Instituto Zoobotânico de Morro Azul), a hipótese mais
provável para explicar essa invasão de cobra cascavel é a série de
transformações que foram ocorrendo na região.
“A cascavel é uma
cobra característica do cerrado, caatinga (locais secos e descampados). Com o
desmatamento, nossa região (originalmente de mata atlântica) foi se
transformando e ganhando características de cerrado; com isto, essas cascavéis
começaram a descer do Centro-oeste e de partes de Minas Gerais e invadir esta
região. Além disto, ocorreu um plantio muito grande de capim braquiária (ou
Brachiária), usado para pastagem”, explicou o biólogo.
Este tipo de capim, tem por característica soltar muitas
sementes – o que atrai roedores (principal alimento da cascavel).
“Com esta
combinação de fatores, se criou em Miguel Pereira um ambiente propício para as
cascavéis sobreviverem: alimentação farta, ambiente semelhante (ecossistema) ao
dessa espécie de cobra e ausência de predadores, vindo a se reproduzir muito”,
concluiu Hélio Freitas.
Não
tente “matar a cobra e mostrar o pau”
A cascavel é uma cobra muito perigosa; seu veneno é
mortal! Não tente matá-la, pois há risco de não acertar um golpe fatal e ser
picado. A recomendação é que se busque isolar a área onde ela se encontra e
chamar o Corpo de Bombeiros (Disque 193).
Medidas
de prevenção
Reclamar pouco resolve! Para evitar a “visita” de uma
cascavel em sua propriedade, evite jogar lixo em terrenos baldios próximos à
sua residência. O lixo atrai roedores. Vindo atrás desses roedores, as cobras
acabam ocupando as áreas urbanas.
Mantenha seu terreno limpo. No seu habitat (no cerrado),
as cascavéis buscam se entocar em locais de pedras, moitas... Se em teu quintal
há telhas, madeiras empilhadas, é lá que elas vão se abrigar.
Se
for picado
A cascavel só ataca se se sentir
ameaçada; primeiramente ela usa o chocalho para afastar os predadores. Mas,
se for picado, tome as seguintes providências:
– Lavar o local da picada
apenas com água e sabão ou soro fisiológico.
– Manter o paciente deitado e
o mais calmo possível, porque agitado o sangue se espalha mais rápido e o
veneno também.
– Manter o paciente
hidratado, dando a ele pequenos goles de água.
– Procurar o serviço médico o
mais rápido possível: somente médicos podem prescrever um medicamento a uma vítima.
– Se possível, filme ou
fotografe para comprovar que se trata de uma cascavel. A identificação do
animal, por uma pessoa capacitada faz com que o soro correto seja aplicado já
que cada cobra precisa de um soro diferente.
O que NÃO fazer
– Não faça sucção do veneno,
porque isto é mito.
– Não faça torniquete ou
garrote.
– Não corte o local da
picada.
– Não coloque folhas, pó de
café ou outros contaminantes na ferida.
– Não ofereça bebidas
alcoólicas à vítima.
– Não dê qualquer medicamento
à vítima.
Conheça o trabalho do IZMA Instituto
Zoobotânico de Morro Azul. Acesse o site www.izma.org.br