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O grande encontro com Alceu Valença

O grande encontro com Alceu Valença

15/05/2019 13:58:00 | Rio de Janeiro | Fonte: Jornal em Destaque

Em 2016, quis o acaso que um grupo de músicos, ao cantar
“Anunciação” em uma esquina do Leblon, encanta não só os transeuntes, mas também
o próprio compositor Alceu Valença, que parou e deu uma ‘canja’ inesperada. O
feito se repetiu novamente, com outro grupo e outra esquina, e dessa vez a
canção escolhida foi “Morena Tropicana”. Esses casos inusitados e outros tantos
serão relembrados durante o Depoimento para a Posteridade do MIS / Museu da
Imagem do Som – equipamento da Secretaria de Estado de Cultura e Economia
Criativa. O evento acontece na tarde do dia 22 de maio (quarta-feira), às 14h,
na sede da Praça XV. Os escolhidos para a sabatina foram o parceiro de longa
data Geraldo Azevedo (cantor e compositor), João Pimentel (jornalista), Chris
Fuscaldo (cantora e escritora), entre outros. Vale lembrar que o auditório tem
capacidade para 50 pessoas, por isso é bom chegar cedo para garantir o lugar. A
entrada é franca.





Nascido com o nome de Alceu Paiva Valença em 1946, o
músico foi apelidado logo no início de carreira de “Bob Dylan brasileiro” por
associar ritmos do sertão com o
folk
da guitarra elétrica. O cantor de 72 anos começou a se tornar conhecido no
início dos anos 1970, acompanhado de seu mais antigo parceiro, Geraldo Azevedo,
com quem lançou ‘Alceu Valença & Geraldo Azevedo’, com arranjos do
tropicalista Rogério Duprat e gravado com sistema de som quadrifônico, uma
novidade em 1972. Desde então, já foi de ícone da contracultura brasileira à
presença recorrente do ‘Cassino do Chacrinha’, vendendo milhões de discos e
excursionando todo o país.





Nessa trajetória foram sucessos como “Vou danado para
Catende”, “Agalopado” e “Coração bobo”, que se tornou um verdadeiro marco na
carreira do artista, tornando Alceu conhecido nacionalmente. Após “Anunciação”,
fez apresentações memoráveis em festivais como Montreux e Rock in Rio, em 1985.
Na década de 1990, a clássica “Belle de Jour” aumentou o repertório de ‘hits’ em
sua carreira, reforçado pela junção com Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho
em “O Grande Encontro”. O álbum renovou seu público e popularizou ainda mais
suas canções.
 





Alceu voltou para sua terra natal, Fazenda Riachão, após
o falecimento do pai Décio, no início dos anos 2000. Passou a escrever poemas
em cordel que se tornariam a base do seu projeto futuro, o filme “A Luneta do
tempo”, lançado somente em 2016. Durante esse período se seguiram obras como
DVDs ao vivo (“Marco Zero”) e com versões acústicas, como “Ciranda Mourisca”
(2009). Em 2015, recebeu o troféu de Melhor Álbum de MPB no Prêmio da Música
Brasileira por “Valencianas”, gravado com a Orquestra Ouro Preto.





Durante esse período, se revelou um verdadeiro camaleão
cultural, assumindo as facetas de escritor, roteirista e diretor. Lançou o
filme “Luneta do Tempo”, ganhador de dois Kikitos no Festival de Gramado de
2016, e aproveitando as comemorações de seus 70 anos, lançou o livro “O Poeta
da Madrugada” com escritos compilados desde 1969. Também como parte das
comemorações, Alceu relembrou o tempo mais
underground
da sua carreira, relançando ao vivo clássicos da trilogia ‘Vivo!’ (1976),
‘Molhado de Suor ‘(1974) e ‘Espelho Cristalino ‘(1977).





SOBRE OS DEPOIMENTOS PARA A POSTERIDADE





Em 1966, o MIS-RJ, inaugurou o projeto Depoimentos para
a Posteridade, inédito programa de história oral criado para preservar a
memória de diversos setores da cultura nacional, tais como a música, a
literatura, o cinema e as artes plásticas. Atualmente conta com um acervo de
mais de mil depoimentos, com quatro mil horas de material, gravado em áudio e
vídeo, de figuras notáveis, como Nelson Rodrigues, Tarsila do Amaral, Fernanda
Montenegro, Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Nelson Motta, Ary Fontoura, Antonio
Fagundes, Nicete Bruno, Zezé Motta, Neguinho da Beija-Flor, Zeca Pagodinho,
Paulo César Pinheiro, Daniel Filho, Geraldo Azevedo, Dori Caymmi, Zé da Velha,
Riachão, Antonio Cicero, Ronaldo Bastos, Paulo Barros, Roberto Menescal, Cesar
Villela, Joyce Moreno, entre outros. Vale lembrar que todas as gravações ficam
à disposição do público, nas salas de consulta do MIS, 48 horas depois do
término da entrevista.





Local:
Museu da Imagem e do Som do RJ - Praça Luiz Souza Dantas, 01, Praça XV.



Tel:
(21) 2332-9499



Data:
22 de maio de 2019 (quarta-feira)



Horário:
14h



Entrada
franca



Censura:
Livre






Matéria enviada por: www.mis.rj.gov.br

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