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Economia brasileira encolhe 0,2% no 1º tri e tem primeira contração desde 2016

Economia brasileira encolhe 0,2% no 1º tri e tem primeira contração desde 2016

30/05/2019 11:24:00 | Rio de Janeiro | Fonte: Jornal em Destaque

(Reuters – Publicado em 30 de maio, às 9:13h)





A economia brasileira iniciou
2019 com contração no primeiro trimestre, com fraqueza em indústria,
agropecuária e investimentos, na primeira queda trimestral desde o fim de 2016
e confirmando o quadro de dificuldades da economia e as preocupações com as
perspectivas.





O Produto Interno Bruto (PIB)
do Brasil teve recuo de 0,2% no primeiro trimestre na comparação com os últimos
três meses de 2018, informou nesta quinta-feira (30) o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE).





Esta é a primeira contração
trimestral desde os três últimos meses de 2016, em meio à profunda recessão de
2015-2016, da qual a economia ainda não conseguiu se recuperar. Agora, o país
corre risco de sofrer nova recessão, aumentando a pressão sobre o presidente
Jair Bolsonaro.





A economia também enfrentou
choques, com a produção industrial sofrendo abalo na esteira do rompimento de
barragem da Vale em Brumadinho (MG), no fim de janeiro.





A atividade econômica havia
terminado o ano passado com crescimento de 0,1% nos três meses entre outubro e
dezembro na comparação com o trimestre anterior, encerrando o ano com expansão
de 1,1%.





Na comparação com o primeiro
trimestre de 2018, o PIB apresentou alta de 0,5% este ano. Os resultados
ficaram em linha com a mediana das expectativas em pesquisa da Reuters.





O início de 2019 tem sido
marcado pelos esforços em torno da reforma da Previdência, considerada crucial
para colocar as contas públicas em ordem. As incertezas em torno do processo,
entretanto, com destaque para uma falta de confiança na articulação política,
tem afetado a confiança de forma generalizada.





Apesar de a inflação e os
juros terem permanecido em patamares baixos, a esperada retomada do consumo e
da indústria não se concretizou da maneira esperada, em meio a um desemprego
ainda elevado.





Depois de 2014 houve queda no PIB e podemos dizer que a economia não
recuperou o que perdeu na crise econômica
”, avaliou a gerente de contas
trimestrais do IBGE, Cláudia Dionisio.





Os dados do IBGE mostram que,
do lado da produção, a indústria e a agropecuária apresentaram recuos no
primeiro trimestre sobre o período anterior.





O setor agrícola teve
contração de 0,5%, primeiro resultado negativo desde terceiro trimestre de
2017. Já a indústria caiu 0,7%, depois de ter terminado o ano passado também em
queda.





O maior peso foi exercido
pela queda de 6,3% da indústria extrativa, sob o impacto da paralisação após o
rompimento da barragem de Brumadinho.





Somente os serviços
cresceram, mas apenas 0,2%, no nono resultado positivo no azul.





CONSUMO





Na ótica das despesas, a
Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), uma medida de investimentos, teve forte
queda de 1,7%, ainda que menos intensa do que o recuo de 2,4% visto no quarto
trimestre de 2018.





Os investimentos puxaram o PIB para baixo com queda na produção de
máquina e construção civil. E isso tem a ver com nível de confiança e com a
conjuntura econômica
”, acrescentou a gerente de contas trimestrais.





Foi o consumo que impediu uma
queda maior no PIB, já que as despesas das famílias e do governo aumentaram,
0,3% e 0,4% respectivamente.





A pesquisa Focus realizada
pelo Banco Central junto a economistas vem mostrando constante redução nas
expectativas para a economia este ano. O levantamento mais recente mostra
estimativa de crescimento de 1,23%.





A queda acontece em meio a um
alto grau de ociosidade na utilização de recursos, com as reformas econômicas,
em especial a da Previdência, sendo consideradas imprescindíveis para melhorar
o sentimento entre mercado, empresas e consumidores.





O próprio BC já havia
indicado “probabilidade relevante” de recuo no primeiro trimestre, e na semana
passada o governo reduziu suas contas para a expansão da atividade a 1,6%, de
2,2% antes.



 



(Foto: Fila de pessoas em buscas de
emprego no centro de São Paulo 26/03/2019 REUTERS/Amanda Perobelli)

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