Quando o frio aparece, a preocupação
com o resfriado e problemas respiratórios são inevitáveis. Alguns cuidados
básicos podem prevenir diversos problemas. Uma boa dica é evitar ir ao
Pronto-Socorro nos casos em que não for urgência, assim como evitar estar
desnecessariamente em locais fechados e com grande circulação de pessoas. Outras
dicas bem importantes, são:
- Deixe o ambiente o mais ventilado e
arejado possível;
- Ao
tossir ou espirrar, cobrir a boca e o nariz, preferencialmente com lenço de
papel descartável;
- Lave as
mãos várias vezes por dia, com água e sabonete, especialmente se estiver ou
passar por locais públicos. Se não tiver como lavar, higienizar com álcool em
gel;
- Se
apresentar febre acompanhada de sintomas como tosse, dor de garganta, procurar
um serviço de saúde;
-
Alimente-se bem, com muitas frutas e verduras e ingestão de líquidos;
- Para
mães com bebê: manter a amamentação com leite materno nos primeiros meses de
vida, como alimentação exclusiva;
- Quando
gripado, evitar contato desnecessário com crianças e recém-nascidos.
Ainda hoje, muitas pessoas ficam confusas
quando se trata de gripe ou resfriado – o ED impresso (edição junho) preparou
uma matéria a respeito –, veja a diferença:
Resfriado: tosse, coriza e espirro, sem febre.
Gripe: mais intensa que
resfriado, caracterizada por dor no corpo, dor de garganta, tosse, geralmente
com febre.
Mas,
não é só de gripe e resfriado que “vive um bom inverno”. Segundo o Dr. Drauzio Varella, as
baixas temperaturas podem provocar, por exemplo, um fenômeno chamado
vasoconstrição nos capilares. Eles são pequenos vasos sanguíneos que existem
sob a pele e chegam aos tecidos mais profundos. Os capilares têm uma delgada
camada muscular capaz de contrair e relaxar de acordo com a necessidade
metabólica ou diante de estímulos externos e internos.
No
caso da exposição ao frio, a vasoconstrição ocorre para evitar a perda
excessiva de calor e manter a temperatura corporal estável. Entretanto, a falta
de proteção adequada às baixas temperaturas pode fazer com que o fenômeno seja
tão intenso a ponto de impedir a circulação normal do sangue em determinada
região do corpo (perfusão tecidual insuficiente).
Em
situações extremas, os capilares chegam a congelar – microcristais de gelo
podem formar-se em seu interior. Esse evento recebe o nome em inglês de frostbite e não
tem um sinônimo perfeito em português. A expressão que melhor o descreve é
“lesão pelo frio” ou “ulcerações pelo frio”.
Sinais e sintomas
Essas
lesões costumam acontecer com maior frequência em extremidades: nariz, orelhas
e dedos dos pés e das mãos. O primeiro sintoma de proteção inadequada ao
ambiente é a sensação de pele fria. Depois, surge formigamento ou queimação. Se
você sentir que uma parte do seu corpo está formigando ou queimando, é
importante aquecê-la rapidamente. Geralmente, nessas situações, a pele ainda
está rosada, ou seja, ainda há perfusão adequada. Nesses estágios, também
podem surgir bolhas, claras ou hemorrágicas.
Se
depois do formigamento, a região parar de incomodar, não é sinal de que o
problema esteja resolvido. Quando a lesão pelo frio progride, a região afetada
fica dormente, anestesiada e pálida, esbranquiçada. Esse é um sinal de alerta:
procure imediatamente um local para se aquecer e, se possível, procure um
serviço de saúde.
As
lesões pelo frio que não são tratadas podem virar úlceras na pele e, em casos
extremos, podem levar à gangrena da parte afetada.
Pessoas
que portadoras de diabetes, doença vascular periférica e doenças autoimunes (como
o fenômeno de Raynaud, por exemplo), têm maior incidência de complicações.
Prevenção
A
melhor maneira de evitar as lesões pelo frio é a prevenção. Por isto, é
importante saber reconhecer o problema, pelos seus sinais e sintomas.
Se
você pretende, nas férias de julho, passear em estações de esqui, mas não está
acostumado a visitar ambientes muito frios, procure informações com quem está
habituado com eles ou já esteve nesses lugares.
Seguem
algumas medidas que podem ser úteis nessas ocasiões:
-
Lembre-se de programar o tempo de exposição (evitar sair para caminhadas sem
controle do tempo), certifique-se da rota a ser seguida;
-
Leve líquidos quentes para tomar no caminho e mantenha-se bem alimentado: no
frio, o metabolismo pode ficar mais acelerado para manter a temperatura
corporal, o que é essencial para preservar a viabilidade de todos os tecidos do
corpo;
-
Use roupas adequadas – existem lojas que oferecem opções de vestimentas, luvas,
gorros, óculos de proteção para vento e claridade da neve, que ajudam a evitar
o congelamento da córnea e a fotoceratite.
Hipotermia
Outro
problema sério associado à exposição ao frio é a hipotermia, ou seja, uma
redução da temperatura do corpo que pode ser muito grave, porque não permite o
funcionamento normal do organismo. Ela ocorre quando a perda de calor é maior
que sua produção.
Considera-se
que a hipotermia está instalada, quando a temperatura corporal é menor que 35
°C.
Inicialmente,
o organismo começa a gastar muito mais energia que o habitual para tentar
manter a temperatura estável, como forma de compensar sua perda para o
ambiente.
O
primeiro sintoma é uma sensação de frio que nos faz procurar, instintivamente,
por mais roupas e por ambientes mais quentes.
A
seguir, para aumentar a temperatura, começamos a tremer. O tremor aumenta a
produção de calor, mas não é capaz de evitar a hipotermia, só a retarda.
As consequências dessa resposta são o aumento da frequência cardíaca e
respiratória e a elevação do consumo de oxigênio. À medida que a temperatura
corporal cai, podem ocorrer arritmia cardíaca, piora de função renal e
alterações de coagulação.
Pessoas
idosas, bebês, pacientes com doenças endocrinológicas e aqueles com dificuldade
para movimentar-se estão mais propensos a desenvolver o quadro.
Cuide-se bem para aproveitar ao máximo a estação mais
fria do ano!