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Mais educação, menos armas

Mais educação, menos armas

11/06/2019 16:38:00 | Rio de Janeiro | Fonte: Jornal em Destaque

OPINIÃO





Com as recentes
manifestações populares contra as medidas do governo Bolsonaro na área da
Educação e, de carona, na Previdência Social, me chamaram a atenção alguns
cartazes empunhados e clicados por certas agências de notícias. Em defesa de
uma educação de qualidade, alguns manifestantes reivindicaram por “Mais
educação e menos armas!”. Ora, qual a relação que a possibilidade de um cidadão
de bem poder portar arma tem com a Educação ser de qualidade ou não? –
pergunto.





Não vi - não disse que não
havia - nada do tipo, “Mais educação, menos corrupção”, por exemplo.





Sou um dos 63,94% dos
brasileiros que votaram contra o desarmamento, no plebiscito de outubro de 2005,
e defendi esta posição em trabalhos acadêmicos na Universidade da Cidade, onde
fiz jornalismo. Posso entender as opiniões contrárias à minha, assim como,
claro, a dos outros
59.109.264
que votaram “Não” comigo, no referendo, mas confesso não entender essa relação
Educação-Desarmamento.





É notório que a grande
imprensa brasileira tomou partido em favor do desarmamento, o que não teria
qualquer problema ético ou moral para um veículo de informação e notícia, não
fosse o uso de distorções da realidade e de estatísticas inverídicas para
“convencer” a população de que desarmar seria a solução para os altos índices
de criminalidade. Exemplo disto foram as publicações no Brasil sobre a lei de
desarmamento na Inglaterra, em 1997, que praticamente baniu o uso de armas de
fogo naquele país. As matérias explicitavam o “sucesso” da lei, apresentando
“quedas” significativas no número de homicídios por arma de fogo na terra da
rainha Elizabeth
e apontando o
ato como um exemplo a ser seguido
. Na verdade, a Inglaterra nunca teve grandes problemas com crimes contra a pessoa,
entre eles os homicídios. Isto está claramente exposto no livro Violência e Armas: A experiência
inglesa
, da historiadora Joyce Lee Malcolm. Veja um trecho
do livro:





“Os
registros históricos ingleses revelam um padrão constante, no qual os crimes
contra a propriedade são muito mais comuns do que os crimes contra pessoas. E
virtualmente todos os historiadores concordam que os crimes contra às pessoas,
especialmente o homicídio, declinaram na Inglaterra desde a Idade Média até o
nosso século”.
 





Mas, o pior estava por vir.
O gráfico abaixo mostra que o crime de
homicídio continuou em crescimento por sete anos após o banimento das armas,
iniciando sua queda somente a partir de 2004. Mas isto não duraria muito: entre
2016 e 2017, de acordo com dados oficiais do Governo Britânico, ocorreu um
assustador crescimento de 25% nos assassinatos.





[ver gráfico no final da matéria]





Se levarmos em conta os
crimes violentos, entre eles os homicídios, tentativas de homicídios,
agressões, roubos e estupros, já em 2009 o jornal 
The Telegrafh
anunciava o Reino Unido como o país mais violento de toda a Europa e, em abril
do ano passado, Londres teria mais homicídios que Nova Iorque. Ora, se as armas
de fogo foram banidas e as taxas continuaram assim, o que aconteceu? A resposta
não é simples, e nunca será. O reducionismo ao "armas" ou "não
armas", não pode ser aplicado para se resolver uma questão tão complexa
quanto a criminalidade, nem lá nem aqui no Brasil.





Voltando a falar sobre a
relação Educação-Desarmamento, nos últimos levantamentos sobre a qualidade na
Educação, feitos por organismos internacionais, o Brasil ocupa os lugares mais
medíocres nos rankings, atrás de países como Panamá, Equador, México e alguns
países da África, e muito mais distante ainda dos Estados Unidos, país cuja
Constituição reconhece o
direito a qualquer indivíduo de ter, usar e transportar armas. 14 Estados
norte-americanos permitem o uso de armas em público.





Não
sou apenas a favor do armamento; também sou favorável à Educação de qualidade, obviamente.
E, sinceramente, não encontro qualquer relação entre eles, de modo a considerar
que para se ter boa Educação se faça necessário impor o desarmamento ao cidadão.

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