A
história de Paty do Alferes teve início entre 1700 e 1725, quando o sertanista
Garcia Rodrigues Paes Leme, a caminho de Minas Gerais, chegou a um local
conhecido como “Roça do Alferes” de propriedade do Alferes Leonardo Cardoso da
Silva, em cujas terras havia uma grande plantação de uma palmeira conhecida
pelo nome de patis. Da combinação do nome da palmeira com a patente militar
Alferes, nasceu o nome Paty do Alferes, nome dado à vila ali fundada em 4 de
setembro de 1820.
Estas
fertilíssimas terras, banhadas pelo Ribeirão de Ubá e Rio do Saco, primeiro
acolheram o plantio da cana-de-açúcar. Um século depois, neste mesmo solo, o
café viria brotar como ouro, fazendo nascer também uma aristocracia rural
formada por nobres intimamente ligados à Corte como o Visconde de Ubá, o Barão
de Capivary, o Barão de Guaribú, dentre muitos outros. Apesar da pompa com que
foi fundada e seu status de vila dado por D. João VI, Paty do Alferes,
continuou crescendo apenas dentro dos limites das grandes fazendas e não houve
interesse pelo desenvolvimento urbano. Quando a sede foi transferida, em 1833,
para a Vila de Vassouras, a nobreza rural patyense permaneceu atuando
ativamente na política.
Emancipada
em 1987, Paty do Alferes mantém uma grande produção agrícola com o tomate, de
onde vem seu título de maior produtor do Estado e 3º do Brasil. Foi em Paty do
Alferes, que se desenrolou um dos mais importantes levantes de negros do Estado
do Rio de Janeiro. Trata-se de Manoel Congo, que entrou para a história como o
líder que em 1838 fez tremer os sólidos alicerces do regime escravocrata
fluminense nas terras do café.
Contava-se
que Manuel Congo era um negro forte e habilidoso, de pouca fala e sorriso escasso.
Como era comum entre os escravos nascidos na África, seu nome era composto por
um prenome português associado ao nome de sua "nação" ou região de
origem. Pertencia ao capitão-mor de ordenanças Manuel Francisco Xavier,
dono de centenas de escravos e das fazendas Freguesia e Maravilha em Paty do
Alferes. Era ferreiro, ofício que requer treinamento e habilidade, o que
certamente lhe dava status superior entre os outros escravos e maior valor
econômico perante os senhores.
color:black;mso-color-alt:windowtext;background:white">Manuel Congo foi
certamente o principal líder da revolta e, neste momento, deve ter se
"juntado" com Marianna Crioula, tanto que os dois foram
posteriormente delatados como o "rei" e "rainha" do grupo
de sublevados.
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color:black;mso-color-alt:windowtext;background:white">Um escravo tinha a
função de "vice-rei"; supõe-se que fosse Epifânio Moçambique,
africano da nação Munhambane, escravo da fazenda Pau Grande, mas pode ter sido
algum outro que foi morto em combate.
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color:black;mso-color-alt:windowtext;background:white">Apesar de ter havido
mais de 300 fugitivos, apenas 16 foram levados a julgamento: Manuel Congo,
Pedro Dias, Vicente Moçambique, Antônio Magro, Justino Benguela, Belarmino,
Miguel Crioulo, Canuto Moçambique, Afonso Angola, Adão Benguela, Marianna
Crioula, Rita Crioula, Lourença Crioula, Joanna Mofumbe, Josefa Angola e Emília
Conga.
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color:black;mso-color-alt:windowtext;background:white">No dia 6 de setembro de
1839, Manuel Congo subiu ao cadafalso, no Largo da Forca, em Vassouras, para
cumprir sua “pena de morte para sempre”: isto é, foi enforcado e ficou sem
sepultamento.
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color:black;mso-color-alt:windowtext;background:white">Fontes: Biblioteca IBGE
e Toda Matéria (Juliana Bezerra – Historiadora)