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Como agir a uma traição? Especialistas contam, porque o ser humano trai e como seguir adiante

Como agir a uma traição? Especialistas contam, porque o ser humano trai e como seguir adiante

17/01/2020 14:43:00 | Rio de Janeiro | Fonte: Jornal em Destaque

Recentemente,
vários famosos tiveram conversas com teor de paquera expostas na internet ou
foram vistos conversando de maneira íntima publicamente. O cantor Saulo foi
visto várias vezes na companhia de outras mulheres, ele tem um relacionamento
com a modelo Gabi Brandt; o apresentador Marcos Mion é casado há 14 anos com
Suzana Gullo e teve uma conversa com uma mulher no qual fala onde sente sua
falta na academia. Já Rodrigo Godoy, marido da cantora Preta Gil, fez uma
solicitação de amizade para uma mulher.



Por
que cada vez é mais frequente ver pessoas traindo os seus relacionamentos? O
que passa na cabeça na hora da traição ou por que as pessoas têm necessidade em
trair?



A
psicóloga e sexóloga Bete Monteiro, do Instituto Ser +, explica alguns pontos
sobre o assunto.



 



1)
Existe um perfil de pessoa que vai acessar e se cadastrar em um aplicativo para
traição?



Falar
em perfil é algo limitador; existem vários extremos. A gente pode pensar no
galanteador que age desta forma para reforçar a masculinidade. Podemos pensar
em pessoas que querem se aventurar em relação extraconjugal; pessoas que
precisam se reafirmar e buscam possibilidades fora do relacionamento justamente
para saber se ainda possuem o poder de sedução, da paquera...



São
muitas variáveis; não necessariamente um único perfil. Pessoas que por algum
motivo se permitem vivenciar uma traição ou uma micro traição, geralmente o
fazem por alguma questão emocional.



A
micro traição é um termo até comum. Não é o contato físico propriamente dito, e
sim a omissão do relacionamento ou até mesmo a intenção/desejo por outra
pessoa... Antigamente era comum, por exemplo, os homens tirarem a aliança – isto
é uma forma de micro traição. Ela é motivada pelo desejo do flerte.



 



2)
É possível falar se homens e mulheres têm mais possibilidades de trair?



Hoje
não. Antigamente era claro que o homem traía muito mais. Hoje não existe esta
estimativa tão separada – o que acontece é que as mulheres são muito mais
julgadas quando se envolvem com alguma pessoa fora do relacionamento, até mesmo
pelas próprias mulheres. Este fato tem total relação com o machismo. 



 



3)
Aplicativos como esse podem ser um indicativo de que monogamia está com os dias
contados?



O
aplicativo em si, não. Porque é uma ferramenta atual que possibilita as
relações extraconjugais. Geralmente as pessoas que traem, escondem. Logo, as
pessoas que utilizam o aplicativo não compartilham isto com o seu parceiro ou
parceira, pois não é algo para o casal. Não estamos falando de poligamia, por
exemplo. De certa forma, ainda existe o desejo de estar dentro daquele
relacionamento, mas paralelamente buscam outras relações.



Ex:
na época das eleições se dizia muito em valorizar a família tradicional
brasileira; lembro que vi muitos memes a respeito com frases provocativas como:
você precisa apoiar a família, mas para isto não pode ter amante.



 



4)
Um estudo sobre app mostrou que no verão aumentam as inscrições no app de
traição. Existe alguma relação entre a temperatura e o desejo sexual?



Sim!
Totalmente! No verão as pessoas estão mais abertas, os corpos estão mais à
mostra, as pessoas ficam mais calorentas... Tem um estudo que diz que com a
temperatura mais elevada, os vasos sanguíneos ficam mais dilatados,
consequentemente a circulação sanguínea é maior, inclusive na área genital – é
como se as pessoas ficassem mais excitadas.



O
próprio sol estimula a produção de hormônios do bem-estar como serotonina e
ocitocina. No verão, as pessoas também buscam cuidar mais dos corpos e realizam
mais atividade física também, o que aumenta a testosterona e consequentemente
aumenta a libido, tanto para homens quanto para mulheres. Com tudo isto
acontecendo de uma vez, o aumento pela busca deste tipo de serviço (app) pode
vir a acontecer mesmo.



 



5)
Existe alguma outra consideração que seja pertinente sobre o tema?



Para
mim, hoje, as pessoas estão idealizando muito mais uma relação; estão sendo
muito mais exigentes para manter uma relação com comprometimento e fidelidade,
principalmente com tantas possibilidades de fácil acesso que nos cercam.



As
pessoas preferem buscar fora aquilo que já tem agregado um elemento novo – como
esse aplicativo – do que investir na criatividade para salvar ou apimentar uma
relação que já existe.



A
sexualidade começa na construção mental, na imaginação. Quando eu estou em um
app com alguém, essa pessoa pode ser o que eu quiser – é uma fantasia – muito
mais estimulante que o real. E se eu resolvo, por exemplo, desinstalar o app e
bloquear alguém eu termino esta questão. Não me implico, de uma forma real,
como eu preciso fazer numa relação diária. Envolve também praticidade.

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