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Dificuldade de acesso a crédito piora cenário para empresas | Riobrasil Noticias

Dificuldade de acesso a crédito piora cenário para empresas

Dificuldade de acesso a crédito piora cenário para empresas

22/05/2020 12:12:00 | São Paulo | Fonte: Jornal em Destaque

Recente pesquisa
feita por uma consultoria de investimentos revelou ao mercado que 78% das
companhias brasileiras não tiveram acesso a nenhum tipo de crédito desde o
início da pandemia. Nesse universo, foram ouvidas empresas com faturamento
entre R$ 30 milhões e R$ 300 milhões. Para as pequenas, o cenário é o mesmo:
segundo o SEBRAE, cerca de 80% dos pequenos negócios não conseguiram nada com
os bancos.





As
dificuldades, segundo especialistas, vêm para todos. Mas atingem mais
profundamente alguns setores, como turismo (hotéis, agências e aviação), varejo
tradicional (lojas físicas como de vestuário e calçados), restaurantes
lanchonetes e bares, indústria automotiva, de cosméticos e construção civil. E
uma das maiores dificuldades, nesse momento, tem sido o acesso a recursos. “
Notamos
uma enorme dificuldade, pelas empresas, em obterem crédito bancário a valores
razoáveis. Os bancos parecem não estar muito dispostos a dar crédito para
empresários
”, avalia Eduardo Gonzaga Oliveira de Natal, professor e
tributarista, sócio do escritório de advocacia Natal & Manssur.





Um dos
motivos que tem levado os bancos a não oferecer crédito atrativo é o receio de
calote. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), haverá uma
escalada de calotes de dívidas. As projeções apontam para inadimplência
semelhante à ocorrida em 2008, quando chegou a 60%.





Para Caio
Bartine, professor e advogado tributarista, sócio do escritório H.G Alves, as
carências oferecidas tanto pelo poder público para o pagamento de tributos,
quanto pelos bancos para o pagamento de empréstimos já existentes, não serão
suficientes. “
As postergações de 90 dias, em média, são insuficientes. As
empresas já reduziram jornada, postergaram pagamentos, mas estão com
pouquíssima ou nenhuma receita
”, avalia.





Há algumas
batalhas judiciais em curso, em que empresas têm solicitado mais prazo para
pagamento de tributos, por exemplo. Mas, os resultados dos julgamentos não têm
sido favoráveis, na avaliação de Eduardo Natal. Recorrer a investimentos
internacionais também não é uma alternativa. “
Os investimentos externos
estão altamente dificultados, seja pela questão da crise sanitária mundial,
seja pelo ambiente brasileiro. Não há intenção de se fazer investimento no
Brasil
”, alerta o advogado.





André Félix
Ricotta de Oliveira aponta outro agravante: “
há casos parados na Justiça, em
relação a questionamento de bens bloqueados indevidamente, por exemplo, que
poderiam nesse momento ser um recurso a mais para as empresas. Mas, ninguém
decide nada em relação a isto
”, aponta.





Nesta
segunda-feira (18), o presidente Jair Bolsonaro sancionou o Programa Nacional
de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), com 85% dos
recursos garantidos pela União. No entanto, Bolsonaro vetou dois itens
importantes: o que estabelecia carência de oito meses para início dos
pagamentos e a prorrogação por mais 180 dias dos prazos para pagamento de
parcelamentos da Receita Federal e da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. O
Congresso pode rever esses dois vetos, mas a medida já está valendo.

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