Assédio ou brincadeira. Como identificar quando a intimidade passa dos limites? | Riobrasil Noticias
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Assédio ou brincadeira. Como identificar quando a intimidade passa dos limites?

Assédio ou brincadeira. Como identificar quando a intimidade passa dos limites?

07/12/2020 16:42:00 | Rio de Janeiro | Fonte: Jornal em Destaque

Em
uma semana onde muito tem se falado sobre assédio em ambiente corporativo, como
identificar quando a intimidade no local de trabalho entre os colegas, passa
dos limites e ultrapassa a barreira de uma simples brincadeira ou descontração
para ser um assédio moral, psicológico ou até sexual? O ED conversou com a Dra.
Andréa Ladislau, doutora em psicanálise, que abordou de forma esclarecedora o
assunto. Acompanhe!



 



Vamos
primeiro falar o que vem a ser o assédio. Assediar é o fato de expor o
indivíduo a situações de constrangimento e ou humilhações. O constrangimento e
humilhação, em alguns casos, podem estar associados ao ambiente laboral da
pessoa, que acaba sendo exposta a situações hierárquicas autoritárias e sem
simetrias, permeadas de relações desumanas, sem ética, negativas e
psicologicamente prejudiciais ao trabalhador.



 



Andréa
Ldislau disse que muitos confundem o assédio como sendo legitimado apenas por
ações realizadas através de piadas, críticas, insultos e ameaças; mas, não é só
isto. O assédio pode estar vinculado à pressão excessiva, à propositada
sobrecarga de tarefas, imposições de horários absurdos, isolamentos, instruções
imprecisas que podem induzir ao erro, exposição da pessoa e, também, à
utilização do seu poder de liderança para assediar sexualmente um parceiro de
trabalho. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento
sexual, prevalecendo o agente de sua condição de superior hierárquico ou ascendência
inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função.



 



A
Psicanalista comentou que, olhando com um olhar mais apurado e cuidadoso para o
assédio sexual ou moral, que é praticado no local de trabalho, podemos afirmar
que é um processo deliberado por perseguição, mesclado por atos repetitivos e,
sobretudo, prolongados. Constata-se nele o objetivo de humilhar, constranger,
inferiorizar e isolar o alvo, seja ele quem for no grupo social. Portanto, se,
devidamente comprovado, subordinado e superior são passíveis de receber
indenização, no caso de quem seja a vítima. 



 



Pesquisas
apontam que 42% dos trabalhadores brasileiros já sofreram ou sofrem algum tipo
de assédio no mundo corporativo, hoje. Um número extremamente expressivo e que
pode acarretar consequências psicológicas e sociais a quem passa por este tipo
de violência. 



 



ASSÉDIO 



O
Assédio é toda e qualquer conduta abusiva de gestos, palavras, escritos,
comportamentos e atitudes que, de forma intencional e frequente, venha ferir a
dignidade e integridade física e psíquica de uma pessoa, ameaçando seu emprego
ou degradando o clima de trabalho, seja de forma direta (através de insultos,
acusações, gritos, humilhações públicas e exposição do outro ao ridículo) ou
mesmo de forma indireta (através de isolamentos, fofocas, propagação de boatos,
recusa na comunicação, exclusão social, acuamento sexual, propostas
indecentes...).



 



ASSÉDIO
X BRINCADEIRA



E
quando podemos caracterizar o fato como um assédio ou uma brincadeira?
Primeiro, temos que observar se a ação é repetitiva e se está gerando
constrangimento e angústia à vítima. A questão deixa de ser uma brincadeira
quanto está carregada de mau gosto, de um caráter vexatório que acaba fazendo
com que a pessoa não se sinta mais confortável naquele ambiente, não tenha mais
vontade de produzir ou não tenha mais condições psicológicas para isto.



 



Em
alguns casos é tão grave que o profissional perde a vontade de levantar da cama
para cumprir seu horário de trabalho, pois se lembra do ambiente, do que pode
vir a sofrer naquele dia e, com isto, alguns sintomas começam a se desenvolver.
São eles: depressão, síndrome do pânico, ansiedade excessiva, medo
generalizado, estresse, distúrbios bipolares e alterações de humor. De fato,
são danos e violência de natureza psicológica que atentam contra a
dignidade psíquica do indivíduo, por meio das mais diversas ações;
compreendendo gestos, palavras e atitudes que humilham, degradam e atingem
reiteradamente a vítima, visando desestabilizá-la, isolá-la ou eliminá-la do
local de trabalho.



 



Se
as “brincadeiras” no local de trabalho estão causando em você sensações e
sentimentos como, crises de choro, dores generalizadas, palpitações, tremores,
sentimentos de inutilidade, insônia ou sonolência excessiva, depressão,
diminuição da libido, sede de vingança, aumento da pressão arterial, dores de
cabeça frequentes, distúrbios digestivos, tonturas, ideia de suicídio, falta de
apetite, falta de ar, necessidade de fuga para a bebida... Enfim, se o ambiente
de trabalho lhe causa mais de um destes sintomas, as investidas não devem ser
consideradas como brincadeiras. Elas são sim assédio, pois causam desconforto,
exposição vexatória; isto quando não causa o afastamento do trabalho para
tratamento de saúde, uma vez que a vítima de assédio trabalha com medo, acuada,
estressada, abatida, confusa, perde sua tranquilidade, fica insegura; sem
possuir, portanto, as condições ideais para que desempenhe adequadamente suas
funções. Este quadro adverso afeta o trabalhador e reduz a sua produtividade, aumentando
também as tensões dos relacionamentos interpessoais. E, não se engane: o
assédio não escolhe sua vítima, pode acontecer tanto com homens, quanto com
mulheres. 



 



O
QUE FAZER, QUANDO SE É ASSEDIADO(A)? 



Ao
perceber que está passando por um processo de assédio no trabalho, a vítima
deve tomar algumas medidas, como: anotar, com detalhes, todas as humilhações e
investidas sofridas: dia, mês, ano, hora, local, nome do agressor, testemunhas
e conteúdo das conversas. Dar visibilidade às situações, procurando a ajuda de
colegas que testemunharam ou que sofrem as mesmas humilhações ou
constrangimentos ou que possam perceber que exista, também, uma conotação
sexual ou moral no contexto. Evitar conversas particulares com o agressor e
agente do constrangimento.



 



A
Dra. Andréa Ldislau concluiu dizendo que devemos estar atentos às situações nas
quais somos envolvidos em nosso cotidiano corporativo:



 



"Como
vimos, nem sempre uma simples brincadeira é uma simples brincadeira. Se ela for
repetitiva e causar danos morais e mentais, como os citados, não tenha dúvidas
de que está sofrendo assédio. E, infelizmente, seja em empresas pequenas ou
grandes, isto é muito comum acontecer. Bem verdade é que em empresas menores o
assédio pode ser facilitado pelo fato de que a intimidade pode ser maior entre
as pessoas e, desta forma, pode ultrapassar os limites do permitido"
. E
recomenda: "A falta de respeito, falta de sensibilidade e empatia são,
certamente, pilares utilizados por estes assediadores, seja ele de qual tipo
for: moral ou sexual. Busque ajuda, comente com as pessoas mais próximas o que
está acontecendo, buscando assim apoio e testemunhas possíveis. Calar-se não é
a melhor estratégia. A ajuda profissional de um psicólogo ou psicanalista será
de suma importância para que você perceba que não está sozinho e, mais que isto,
conquiste sua autoestima, seu amor próprio e enxergue que nada vale mais que a
tua saúde mental, que o teu equilíbrio físico e emocional. Não se deixe adoecer
pelas atitudes do outro. Passamos muitas horas de nosso dia dentro do ambiente
de trabalho rodeado de outras pessoas que, naturalmente, possuem crenças,
valores, sonhos e desejos divergentes dos nossos. Além disto, para viver feliz
e consciente de seu papel dentro do universo corporativo, a harmonia, o
respeito e o limite nas relações e nos ambientes não podem, de forma alguma,
estarem desvinculados da produtividade e dos resultados"
.

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