Todos os nossos afetos são importantes. Eles acabam nos
dando indícios de como se encontra nosso mundo interno. Transmitem, com algum
grau de precisão, mensagens subjetivas de como nos sentimos ao nos
relacionarmos com alguém ou diante de alguma nova situação. Nos modulam em meio
as mais diversas situações do mundo.
Contudo, temos uma tendência a valorar mais os
sentimentos que julgamos positivos, enquanto tentamos esconder ou suprimir
tantos outros. Diante daquilo que consideramos inaceitável, por nós ou pela
sociedade, ocultamos parte do que também nos constitui, com a expectativa de
fornecer ao outro apenas a pista do que pensamos ser uma boa referencia de nós.
De fato, ao fazermos isso, desconsideramos um pedaço
importante de nossa história. Abafamos a oportunidade de amalgamar todas as
emoções que possam vir a se apresentar como aquilo que nos compõe. Paramos de
observar as indicações que elas nos trazem e também de conseguir, de alguma
forma, guiar nossos passos de maneira mais honesta.
No entanto, quando não nos atentamos para o que as
diferentes situações cotidianas suscitam em nós, isso pode resultar na
alienação de uma de nossas principais metas: nossa felicidade. E abrir mão dela
nos cobra um alto preço. Seja na vida pessoal ou no ambiente profissional, essa
procura pela alegria e pela prosperidade nos impulsiona em nosso
desenvolvimento.
Ao mapearmos o que nos faz verdadeiramente feliz, nos
aproximamos daquilo que acreditamos ser fundamental para nós. Seguimos
motivados e confiantes, pois experimentamos a sensação de estar no caminho que
realmente escolhemos. O dia a dia, ainda que com suas tarefas e obrigações,
passa a ser algo muito mais prazeroso e fluído.
E essa responsabilidade de colocar a nossa própria
felicidade como meta, precisa ser de cada um. Não podemos terceirizar algo tão
fundamental em nossas vidas. É imperativo que pesquisemos, ativamente, por ela.
Que reflitamos sobre quem estamos nos tornando e o que começa a fazer então
mais sentido para nós a partir dessa constatação.
Quando esperamos de nossos pares ou amigos, quando
deixamos pra depois, quando condicionamos esse contentamento a uma conquista ou
ao alcance de alguma meta, adiamos o que poderíamos estar desfrutando já no
processo. Aquilo que depende muito mais de nós, do que de qualquer outro.
Aquilo do qual ninguém deveria abrir mão.
Todos os sentimentos são significativos e nos orientam
sobre nossas experiências. Todos devem ser ouvidos. Contudo, é nossa
responsabilidade buscar ativamente por aqueles que nos afastam do sofrimento e
nos aproximam do que acreditamos ser mais prazeroso. Cabe a nós essa tarefa de
nos mantermos militantes à procura de nossa felicidade.