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Cigarro eletrônico pode causar infarto e síndrome coronariana aguda | Riobrasil Noticias

Cigarro eletrônico pode causar infarto e síndrome coronariana aguda

Cigarro eletrônico pode causar infarto e síndrome coronariana aguda

23/03/2022 12:10:00 | São Paulo | Fonte: Jornal em Destaque

Apesar
de proibido no Brasil, o cigarro eletrônico (ou vape) já está na quarta geração
e seu uso vem crescendo em ambientes de festa, bares e restaurantes,
principalmente por jovens. Seus efeitos na saúde já são comprovados. O
equipamento gera partículas ultrafinas que conseguem ultrapassar a barreira dos
alvéolos pulmonares e ganhar a corrente sanguínea, fazendo o corpo reagir com
uma inflamação. 



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Muitas
vezes, quando a inflamação acontece na parede do endotélio, que recobre as
artérias, ele pode ser lesionado e deflagrar eventos cardiovasculares agudos,
como infarto e síndrome coronariana aguda. A nicotina também tem influência no
coração, porque aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial
”, explica Jaqueline
Scholz, especialista da SBC – Sociedade Brasileira de Cardiologia em ações
contra o tabagismo. 



O
efeito protetivo que se imaginava que o cigarro eletrônico pudesse ter, não se
confirma. Em países que adotaram esses produtos, há um crescente aumento de
eventos cardiovasculares na população abaixo de 50 anos de idade. 



Antes
da pandemia de Covid-19, os Estados Unidos registraram 2.800 internações e 68
óbitos de jovens, 70% deles tinham menos de 34 anos de idade. Eles foram
diagnosticados com a síndrome chamada Evali, sigla em inglês para doença
pulmonar associada ao uso de produtos de cigarro eletrônico. Hoje sabe-se que a
mistura que mais causa Evali é composta por vitamina E, THC (principal
componente ativo da maconha) e nicotina. Em 30% dos usuários, a utilização
somente da nicotina já foi capaz de causar a doença.



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Diferentemente
do cigarro convencional, que demora às vezes 20 ou 30 anos para manifestar
doenças no usuário, o cigarro eletrônico, que prometia segurança, foi capaz de
matar jovens rapidamente
”, aponta Jaqueline.



Vale
lembrar que o narguilé é diferente, pois é um tabaco que sofre combustão,
aquecido com carvão. No entanto, também é uma substância que traz danos à
saúde, além do risco de contaminação ao ser compartilhado entre os
usuários. 



 



Estudos



Quando
os vapes surgiram, as pessoas faziam uso bidual, ou seja, eram fumantes de
cigarro convencional e, também, do eletrônico, utilizando um ou outro em caso
de restrições ou na tentativa de fazer a migração.




na terceira e quarta gerações dos vapes, chama atenção o aumento do número de
usuários exclusivos, ou seja, pessoas que não fumavam o convencional. Isso fez
com que as evidências em relação aos seus efeitos ficassem mais claras de serem
analisadas. 




há estudos que indicam que os vapes podem levar substâncias cancerígenas para a
bexiga, gerar disfunção endotelial, aumento do risco cardiovascular, além de
piorar e desencadear asma brônquica.



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Ainda
vai levar um tempo para avaliar se podem, de fato, causar câncer, já que
envolve alterações genéticas, mas só o fato de saber que têm substância
cancerígena já é um alerta
”, expõe Jaqueline. 



Mas
eles são efetivos para ajudar as pessoas a pararem de fumar? Não. Aquelas que
passaram a usar o cigarro eletrônico continuaram dependentes da nicotina. O
percentual de indivíduos que utilizam o produto e conseguem largá-lo
definitivamente é igual ao daqueles que tentam parar de fumar sem usar outro
método: 3% a 5%. 



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Isso
é muito preocupante, pois além do risco para a saúde individual, o uso do vape
pode colocar a perder os resultados já alcançados pela campanha antitabaco no
Brasil. Em outros países, a taxa de fumantes chega a 25%, mas aqui chegamos a
10%, com muito sacrifício
”, conta Jaqueline.



Para
ela, do ponto de vista de engrandecimento humano, civilizatório, não há nenhuma
vantagem no uso dos cigarros eletrônicos, pelo contrário.



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É
um equívoco enorme pensar em liberar esse produto
”, enfatiza a
especialista da SBC.



 



Combate



A
RDC no 46 da Anvisa, de 2009, proíbe a comercialização, a importação e a
propaganda de quaisquer dispositivos eletrônicos para fumar. Cabe à sociedade
como um todo fazer cumprir a resolução. Os pais precisam perguntar aos filhos
se estão usando os vapes e explicar que são proibidos e não fazem bem à saúde,
que podem gerar dependência, além do gasto econômico.



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Nós
da Sociedade Brasileira de Cardiologia, enquanto uma entidade líder no
esclarecimento para a população, na assistência do que a cardiologia pode
oferecer de melhor, estamos fazendo a nossa parte na conscientização
”, destaca
Jaqueline.



Ela
lembra que circulou recentemente uma fake news demonstrando que o produto é
legal, mas a verdade deve ser esclarecida.



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Os
colégios precisam fazer campanhas educativas alertando, mostrando dados, convocando
professores e convidando psiquiatras para palestrar. Os jovens são vulneráveis
a todos os tipos de drogas, que podem modificar a capacidade cerebral,
desencadeando, no futuro, depressão, ansiedade, doenças e instabilidades
emocionais
”,
ressalta. 



Para
Jaqueline, o que torna o ser humano feliz é a interação social, não a droga.



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A
droga foi inserida nesse contexto como se fosse capaz de promover a interação
entre as pessoas, mas é o contrário. Isso precisa ser bem trabalhado, porque
estamos vendo crescer uma geração de pessoas adictas em tudo: álcool, maconha e
cigarro eletrônico
”,
finaliza.



 



SOBRE
A SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA



Fundada
em 14 de agosto de 1943, na cidade de São Paulo, por um grupo de médicos
destacados liderados por Dante Pazzanese, o primeiro presidente, a Sociedade
Brasileira de Cardiologia (SBC), tem atualmente um quadro de mais de 13.000
sócios e é a maior sociedade de cardiologia latino-americana, e a terceira
maior sociedade do mundo.



 



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